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sábado, 23 de junho de 2012

Perdido



Estou perdido no meio do nada... só vejo a areia do deserto à minha frente, nenhum sinal de vegetação. É como me sinto por ti. Com uma infinidade de dunas à minha frente sob um sol escaldante de 500 e não trago sobre mim nenhuma peça de roupa ou mesmo sapatos. Estou a arder. A minha pele a ser queimada aos bocados, lentamente descascada e nenhuma brisa ou um beijo teu, para arrefecer o meu corpo nu.
Estou perdido de amor e não tenho salvação para este sentimento irascível que teima em quedar-se.
Resta-me seguir caminhando. Desistir, nunca!! Nem que pereça de pé no meio desta minha jornada. Resistirei até ao fim! Não tenho medo, mesmo sabendo que o meu corpo fará parte desta areia e que nem mesmo os meus restos serão encontrados, para que a ti possam ser devolvidos.
Sou um cometa que passou pela vida e aterrou neste deserto. Sei que alguem,  em algum lugar me viu passar, envolto em fogo e fumaça, por breves milésimos de segundo tão rápidos que talvez tenha desejado que eu voltasse a passar, pelo menos um pouco mais devagar, para de novo poder vislumbrar a minha graça. Mas em vão!  Não acontecerá!
Resta-me a mim sair deste deserto! Resta-me a mim sair caminhando, almejando algum dia encontar o teu palácio e assim, poder pernoitar no meio das tuas coxas fartas e tu entre os meus braços. Porém não vejo como sair daqui e poder alcançar esse coito tão desejado.
A areia e o sol, se não fosse pelo doirado da cor, em nada se pareceriam a ti. A areia, espessa, grossa, fere a minha pele nua e mal tratada, pesa os meus pés, tapa os meus olhos, inibe os meus movimentos, o sol, seca os meus lábios, as minhas lágrimas, a minha pele, ou o que resta dela, cada vez mais.
Preciso de ti! Tira-me deste deserto de dor e amargura! Concede-me uma noite que seja de prazer e ternura! Cuida de mim! Quero ser encontrado, não quero continuar perdido.
Tu és a minha salvação.

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