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sexta-feira, 22 de junho de 2012

A ira do Porco


A ira me consome aos poucos.
Quero matar
quero aniquilar
quero acabar com tudo e todos que me magoam
quero ver o mundo a arder
quero ver as cinzas ao vento, dissipando-se
não deixando vestígios desta merda em que vivo.

As pessoas que me rodeiam são porcas, imundas 
com os pensamentos corrompidos pela sociedade em que vivemos
todos fingem ser alguém que não são...

Tristes hipócritas!

Porém mais triste ainda é ver-me transformar num deles aos poucos,
mesmo contra a minha vontade. 

Sinto-me corrupto
corrupto com os meus princípios e com os meus valores
também eu devo arder, não sou indispensável
sou mais um nesta pocilga.

Porco! Corrupto!

Tresando a esta peste que me rodeia
não consigo fazer nada 
Sinto-me de mãos atadas
no entanto, sinto que tenho a arma necessária para libertar-me... 
só não sei como usá-la!

as virtudes, dão lugar aos defeitos
pois são interpretadas como sendo fraquezas
tentando ser aquilo que não sou, minto, finjo, invento,
sendo que o final é o mesmo
uma cambada de porcos que não me compreendem e dos quais me afasto assim que posso.

Porém como todo mortal, de sangue quente,
a calma apropria-se do corpo do animal
a racionalidade parece voltar a fazer sentido
e todo o ódio 
e toda a raiva 
e toda a angustia 
e todos os medos, parecem querer dissipar-se aos poucos

Não há dúvida que por mais imundo que seja
um resto de humanidade ainda resiste no meu corpo
aprisionado pela alma, que nega deixa-la partir...

digo novamente, corrompo-me facilmente! 

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